18 de jul de 2011

Por uma noite, código Morse volta ao rádio nos EUA

Faz pouco mais de uma década desde que a última estação de rádio de código Morse saiu oficialmente do ar, quando novas tecnologias afundaram um sistema que era usado na comunicação desde antes do Titanic. Mas como as transmissões continuam a viajar pelo cosmos muito tempo depois de seus remetentes originais desaparecerem, algumas coisas se recusam a morrer. Na semana passada, vários postos de código Morse voltaram à vida, mesmo que apenas por uma noite, com a ajuda de um grupo de entusiastas empenhado em preservar o que chamam de "música de Morse", um toque por vez.

A ocasião foi um evento anual conhecido como a Noite das Noites, realizado todos os anos no aniversário da transmissão do último código Morse de uma estação costeira da Califórnia, em 1999, que incluiu uma tradicional despedida ("Desejamos-lhe bons ventos e bons mares") e ex-operadores de rádio com lágrimas nos olhos.

Na terça-feira, porém, alguns desses homens estavam de volta ao trabalho, transmitindo de uma antiga sede de estação Morse no norte da Califórnia, a KPH, e conectados por duas outras estações de Seattle e uma do Alabama. Tudo para honrar um sistema que ligava o mundo muito antes da internet.

"São apenas bipes sonoros no ar, mas isso era tudo para as pessoas", disse Richard Dillman, um autointitulado "esquilo de rádio" que atua como presidente da sociedade sem fins lucrativos Rádio Marítima Histórica, que patrocina o evento. "E nós somos a única ainda em pé”.

Mais de uma dezena de voluntários se reuniu em estações de recepção e transmissão, fechada em 1997, a sede da estação é como uma cápsula do tempo, cheia de relíquias de comunicação, incluindo máquinas de teletipo, máquinas de escrever manuais e telefones rotativos – e, claro, todos os tipos de teclas de telegrafia que vão desde as versões usadas na época do próprio Samuel Morse até modelos mais modernos. Um empoeirado calendário de 1997, ainda está pendurado na parede, assim como uma cópia do pedido de socorro do Titanic.

Muitas das máquinas antigas da estação estavam em funcionamento na terça-feira, soando cliques, assobios, ruído branco e – é claro – pontos e traços. E pouco depois da meia-noite, a primeira mensagem foi enviada a uma velocidade vertiginosa por Dillman.

“Nesta data, em 1999, a morte de Morse comercial foi anunciada”, dizia. "Mas o Morse ainda vive.”

Por Jesse McKinley

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