14 de jul de 2011

Solidariedade – a bandeira do A.R.E.I.A

Imaginei iniciar este post com uma homenagem ao A.R.E.I.A. , ao Zinho, Aparecido e toda a turma que de uma forma ou outra contribui na localização de pessoas desaparecidas, entendi por fim que não seria necessário, basta ler que sua mente vai automaticamente torcendo para que estes radioamadores tenham cada vez mais sucesso nesta missão.

Grupo de Radio Px A.R.E.I.A, (Agrupamento de Radio Emissão Independente de Araraquara)

Zinho Uirapuru e José Aparecido dos Reis dedicam seu tempo para localizar pessoas desaparecidas

Em busca dos desaparecidos

Ong Areia tem a missão de localizar pessoas por meio das ondas de rádio

Na pequena sala da casa de Zinho Uirapuru, o equipamentode radioamador é peça- chave em um trabalho árduo e de muita persistência: localizar pessoas desaparecidas. Em 1998, ele fundou a Ong Areia (Agrupamento de Rádio Emissão Independente de Araraquara) e a partir daí passou a dedicar sua vida a ajudar famílias a reencontrar entes queridos. Nesses anos todos, mais de cinco mil pessoas foram localizadas. Para isso, Zinho conta com colaboradores voluntários no Brasil e em outros países, como Estados Unidos, México e França. No total, são sete mil pessoas – duas mil no exterior – que colaboram com o trabalho.

Tudo começou quando ele comprou seu radioamador e conseguiu localizar o cachorro de uma menina do bairro. “A garota estava doente, ninguém sabia qual era o diagnóstico.Ela melhorou depois de reencontrar o animal”, relembra, com carinho. Em seguida, conseguiu trazer emédios da Argentina para um paciente na cidade. Foi aí que ele percebeu que era possível localizar pessoas desaparecidas, utilizando o equipamento. Primeiro localizou um idoso que sofria de Alzheimer (doença que causa progressiva perda de memória e do sentido de orientação),  depois começou a encontrar andarilhos em São Paulo. Mais recentemente, lembra ele, a Ong promoveu o encontro de uma mãe que havia se separado do filho há 56 anos. São exemplos de casos que Zinho acompanha envolvendo crianças, adultos ou idosos. “E, infelizmente, muitas pessoas são encontradas  Observamos que muitos pais que nos procuram não sabem com quem seus filhos andam. E muitos deles estão envolvidos com drogas”, alerta. A Ong recebe de 35 a 40 pedidos por dia; metade é de pessoas que vêm até a casa do Zinho. E como muitas delas não têm condições de se manter na cidade, ele acaba fornecendo hospedagem em sua própria residência.

REGISTRO – José Aparecido dos Reis também é voluntário da Ong Areia, fazendo as fotos e editando os vídeos dos reencontros. Assim, as histórias estão documentadas em 500 DVDs. Emissoras de TV também já acompanharam muitos reencontros. Com isso, o trabalho da Ong é conhecido Brasil afora: “Recebo cerca de 10 mil cartas por ano”, conta Zinho, mostrando a restante abarrotada de correspondências. Hoje,a Areia conta com o apoio de locutores de radio (do Brasil e exterior) e da polícia civil de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Pelos serviços prestados, a Ong já foi até homenageada no 13º Batalhão de Polícia Militar de Araraquara e pela Câmara Municipal.

 

Dificuldades e planos para aumentar o atendimento

A Prefeitura ajuda a Ong Areia com selos e cópias dos três mil exemplares de panfletos com fotos das pessoas desaparecidas, que são distribuídos em várias localidades. Zinho diz ainda que o município prometeu um terreno para uma sede própria, mas, enquanto a doação não acontece, ele mantém o trabalho na sua casa. “Eu passo por dificuldades. Minha sala é muito apertada para atender a comunidade da cidade, região e de outros estados que me procuram”, enfatiza.

E o espírito solidário de Zinho Uirapuru é sua inspiração para outros projetos: “Além de achar a pessoa, quero dar mais assistência para as famílias”, adianta, ressaltando que as histórias que ele acompanha são permeadas por muitas dificuldades, principalmente financeiras. “Quero uma verba do governo para ajudar a comunidade. Tenho a ideia de montar salas grandes para dar aulas de computação, dar merenda”, almeja ele, que ainda pretende

transformar a Ong Areia em uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). “Precisamos de mais estrutura para continuar esse atendimento e também conseguir um reconhecimento maior na cidade. Meu trabalho é de formiguinha. Acho que Deus me deu esse dom”, finaliza o fundador da Ong Areia.

Por Patricia piacentini

Fotos Kris tavares

http://agrupamentoareia.webnode.com.br/

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